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8 percepções sobre telejornalismo

Via @Lucasdevitta

Retirado de Folha OnLine – Blogs

Muito útil o texto enviado pela leitora Juliana, de Beagá, sobre o que aprendeu em seus sete meses de estágio em TV. Até porque nem a Ana nem eu nunca trabalhamos em TV e, por isso, não falamos com muita frequência sobre esse mundo aqui no blog. É mais um aprendizado para todos nós, de forma muito bem-humorada Bem humorado

Segue a leitura:

Textos simples

Sabe aquela frase que a maioria de nós, alguma vez na vida, já falou ou vai falar? “Eu tenho um texto bom, todos os professores que eu já tive na vida me elogiaram e a minha mãe acha que eu sou o Machado de Assis reencarnado.” Ela não se aplica tanto à TV. Quer dizer, você precisa saber se expressar bem, mas deve esquecer a paixão às frases repletas de palavras pomposas e até indecifráveis. Deve entender que o simples também pode ser bonito. E que ninguém conta algum fato para um amigo, por exemplo, usando “todavia” ou “lesões subcutâneas”. (Tá, esta última foi mérito meu na semana passada. Faz parte).

Versatilidade

Você precisa entender que existem vários tipos de textos, e que precisará passar de um para o outro em vinte segundos. Escreveu as cabeças da reportagem? Pronto, agora reescreva mais elaboradamente e mande o release com a programação para os veículos impressos. A informalidade, nesta hora, não pode ser exagerada.

Aproveite o tempo

O tempo é relativo. Faltam dois minutos ainda para começar alguma coisa? Ótimo, dá tempo de tomar banho, lanchar e ler “Grande Sertão: Veredas”. Duas vezes. A verdade é que, quando algo é ao vivo e factual, a correria é tanta que dois minutos de sobra é a mais profunda expressão da paz interior. Isto não se aplica, é claro, a dois minutos de “buraco” na programação. É preciso ser muito rápido para inventar alguma coisa para preencher o espaço, que não tenha a ver com, sei lá, conversa sobre o tempo e conseguir transmitir algo com qualidade.

Pensar em equipe

Um por todos e todos por um. Nada de ser mimado e achar que o seu belo texto vai segurar a matéria ou que as imagens que você pensou não precisam de complementos. Pense sempre que tudo deve estar em harmonia. É preciso pensar como um todo. Vai ficar tudo bem se você conseguir enxergar tudo antes de ser feito e nos detalhes enriquecedores.

O trabalho do produtor

O serviço do produtor é gratificante. Acho que dá para ter um pensamento muito legal nas funções “atrás das câmeras”. O produtor pensa a pauta, apresenta, escreve, combina com as fontes, sugere imagens e perguntas. Um texto legal na pauta é bem aproveitado pelo repórter. E mesmo que você não vá para a rua e apareça na televisão, o seu trabalho é visto sempre. É a maneira de se mostrar presente, de registrar seus pensamentos. E quando o repórter te fizer raiva, elabore uma pauta com “povo fala” sobre plástica. Peça que ele pare as pessoas na rua e pergunte se elas gostariam de fazer plástica. =). Tá, isto não.

O trabalho do repórter

Ser repórter também é legal. Quer dizer, eu não sou, mas acho que é legal, porque eu já fui a “mão que segura o microfone” algumas vezes. Você pode pensar além da pauta, tentar sempre ver os detalhes, registrar algo que somente quem está vendo consegue entender a relevância. A conversa com as fontes e o contato com as pessoas na rua é essencial para entender o que as pessoas pensam e trabalhar por elas.

Parte técnica

A parte técnica é interessantíssima. Dirigir um programa ao vivo é muito bom. É preciso agilidade para pensar em colocações, inserir notas de última hora e escolher rapidamente qual matéria derrubar se uma entrevista exceder. Além disso, você aprende como o áudio é importante e como trabalhar com ele. O posicionamento das câmeras diz muito também. E você vê como elas são controladas e o porquê. Tudo, tudo na TV parece falar alguma coisa. E, de fato, fala.

Voz de bebê

Para quem não tem uma voz muito bacana, procure um fonoaudiólogo. Eu vim a descobrir isso há pouco tempo, mas esta questão é muito importante para quem quer seguir carreira. A minha voz é semelhante à de uma criança de cinco anos ou de quem conversa com uma criança de cinco anos. Parece que a todo momento eu vou falar “olá amiguinhos” ou pedir para a fonte contar alguma coisa para a “tia aqui”. Invista nisso, na postura e na forma como se apresenta. Este é só um conselho de quem presencia as coisas mesmo e que foi descobrir “mais tarde” alguns fatores importantes. Eu teria me preparado mais neste sentido.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h49

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